Mas as ideias sobre conhecimento contidas em Besouro transcendem o universo da pedagogia ou da preservação da cultura. Caminham também num rumo político. Uma leitura superficial do filme pode concluir que ele é maniqueísta ao demonizar os brancos e canonizar os negros. As coisas não são tão simples. Por trás da aparente barreira racial mostrada no filme (Besouro nasceu pouco depois do fim da escravidão, numa época em que até mesmo a estrutura jurídica do Brasil considerava os negros como cidadãos de segunda classe, e a cultura afro-brasileira como manifestação primitiva e eventualmente subversiva), existe uma divisão social mais profunda. E essa divisão é política, entre os que oprimem, os que consentem tacitamente com a opressão e os que resistem a ela de alguma maneira.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
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